Repetidora

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sábado, 21 de julho de 2012

AS MODERNAS ?, OU AS VELHAS ? “REDES SOCIAIS” DOS RADIOAMADORES

  Escreveu : Mário  Keiteris PY2 M X K  radioamador  veterano  e escritor    
                                   
julho/12


Dificilmente encontraremos alguém mais ou menos conectado com a vida diária que não tenha ouvido em algum momento alguma menção sobre o radioamadorismo, porem, bem poucos sabem realmente no que consiste este Serviço de Utilidade Publica.     Seguramente essa grande maioria de pessoas já devem ter ouvido em mais de uma ocasião alguma referência, anedota, noticia, ou história relacionada com esta atividade tão apaixonante e divulgada internacionalmente chamada de radioamadorismo. O Radioamadorismo em si é um dos hobbes e prestação de serviços dos mais fascinantes.     E muitos e muitos anos antes de se ter conhecimento e de se falar em Internet,ou dos telefones inteligentes, os radioamadores já possuíam e formavam uma teia de amigos de solidariedade em todo o mundo (Redes Sociais). O radioamadorismo querendo ou não, é a imagem da sociedade em que vivemos.       Durante muito tempo, eu me senti atraído pelo fenômeno incrível de poder conversar instantaneamente com alguém que não podia ver através do "aparelho" e, em muitos casos, localizados a muitos e muitos quilômetros de onde eu estava.      Esse fenômeno, despertava em minha pessoa uma grande curiosidade e desejo de aprender como isso poderia ser feito, e acabei tornando-me um radioamador.          Ultimamente, muitos dos meus colegas radioamadores tem feito-me um tipo de pergunta: Pôr que a minha relutância em integrar nos sites de "redes sociais"?      A minha resposta é quase sempre a mesma :      Acontece comigo, como acontece com um amigo meu, o ginecologista, ele garante que acaba dormindo enquanto assisti a um espetáculo de strip tease.               "-Imagine, eu trabalho onde os outros se divertem", diz ele com alguma ironia.       O mesmo que acontece com o ginecologista em relação ao strip-tease, acontece comigo como radioamador, eu não possuo o dom de "redes sociais", pôr falta de um atrativo especial.        Nem mesmo consigo ver nelas algo de novo, porque, pelo menos para mim, o uso do software, para se envolver em atividades sociais com os meus colegas, não é, nem nunca foi, uma novidade .     Eu venho fazendo isso já a muitos anos, daquela época em que ainda não existia a Internet, foi quando coloquei-me na frente da minha estação de rádio amador, e com infinita paciência, aprendi a participar em redes de seres humanos que foram ligados através de distâncias pôr meios tecnológicos, e cooperar ativamente entre si, mal se conhecendo e confiando sempre.           As "redes sociais",  baseadas na tecnologia não nasceram comigo nem com o radioamadorismo.       Nos primórdios dos tempos, já existiam redes sociais, inicialmente com o correio, em seguida com o telegrafo, depois com o rádio e pôr agora com a Internet, e logo mais para o futuro com o que será?        Inclusive a partir de 1909, época em que geralmente é considerada como inicio das atividades radioamadoristicas, os operadores telegrafistas dedicavam-se a “conversar” com o batedor telegráfico.     O faziam nos momentos livres, assim que permita o trafego das mensagens próprias do serviço.        As redes sociais postais foram uma realidade, inclusive, antes da invenção do telegrafo e do rádio.          Ao contrario do que pode-se supor, estas primitivas redes sociais tecnológicas não eram espaços dominados pela solenidade, amordaçadas pelo autoritarismo, ou impulsionadas exclusivamente pelo altruísmo.      Muitas destas redes cresceram somente pela força da amizade, da vontade de passa-lo divertindo-se, ou simplesmente pelo desejo de matar o tempo ocioso, ou de conhecer um pouco pessoas interessantes, essas pessoas não se veriam nunca pôr toda sua vida, ou para simplesmente servir o próximo desinteressadamente.            Estas mesmas redes, em curso, serviam para mitigar as conseqüências dos desastres naturais, para prevenir, para fazer chegar medicamentos e assistência a lugares impossíveis, para ajudar as pessoas necessitadas, para reunir famílias dispersas, e para tantos outros fins nobres e desinteressados.       Essa tarefa de servir a comunidade, e feita com dedicação, afeto, carinho e vocação de serviço, com alto conceito de ética, amizade, e com dignidade humana.     Muitas pessoas enaltecem agora o caráter virtualmente instantâneo das comunicações pelo Facebook ou pelo Twitter, porem temos que reconhecer de que as faixas de radioamador, tanto nas ondas curtas como nas do V.H.F., proporcionavam também naquela época, bem como atualmente, uma comunicação instantânea, inclusive mais rápida que hoje se move ao redor da louca circulação de pacotes de “bits” pêlos vínculos digitais.        Houve uma época, inclusive, que as comunicações dos radioamadores eram mais confiáveis, eficientes, estáveis e rápidas do que a que podia-se estabelecer via telefone.      Para servir a guisa de exemplo anoto aqui que a antiga Telesp, informava uma demora de 45 minutos a 1 hora para fazer uma simples ligação telefônica com a vizinha localidade de São Bernardo do Campo S.P., município que localiza-se a 30 kilometros do centro da Capital de São Paulo.       Para estabelecer um contato via telefone com outras capitais do Brasil, dependendo da distância, levava-se um dia inteiro de espera, as vezes ficava para o dia seguinte. Isso não estava acontecendo em 1900 ou antes, mas em 1990.          Evidentemente, existem muitas diferenças entre as modernas "redes sociais", e suas predecessoras tecnológicas.         A primeira delas, é a grande massividade que tem alcançado diante da grande difusão das novas tecnologias.      A segunda, é a mais notável diferença existente entre os usuários daquelas redes primitivas com as atuais, é que eram muito mais educados, corteses, e respeitosos quanto a privacidade alheia do que os usuários das atuais tecnologias.        Existe um certo ponto que me deixa totalmente absorto quando leio as “recomendações”, dos expertos entendidos em matéria de etiqueta de redes sociais, porque em minha humilde opinião, não inventaram nada de novo, pôr exemplo : Regras como : “Leia antes de escrever”. “Não use termos pesados”. “Cuide da sua imagem”. “Não fique com raiva”. “Vigie os mal entendidos”.         Regras estas que hoje fazem parte do chamado “manual de urbanidade para os cibernéticos”.         Quero aqui frisar que já fazem mais de 80 anos, quando a ARRL (American Radio Relay League, associação dos radioamadores dos Estados Unidos), consagrou o seu famoso e universal código de conduta e ética nas comunicações, ao mesmo tempo que aparecia nas primeiras paginas do seu volumoso Handbook.            Os radioamadores também foram os pioneiros na transmissão de imagens.         Primeiro com o intercâmbio de cartões QSL, que alcançou épocas de trafico muito intenso, e em seguida pôr meio de experiências com a televisão de varredura lenta (Slow Scan Television), contemporaneamente fizeram possível de se ver o rosto e a identificação do interlocutor remoto em uma minúscula tela de raios catódicos.        Atualmente as modernas 'redes sociais" da Internet parecem mais com as velhas "redes sociais" da Faixa do Cidadão, aquele espaço do espectro dominado pôr caminhoneiros linguarudos e pôr aventureiros de fama duvidosa, onde não havia necessidade de uma autorização administrativa para transmitir.          As "redes  sociais" da Faixa do Cidadão chegarem a ser muito extensas, influentes e poderosas, porem, esgotam-se e implodiram, precisamente pela falta de regras, pela massividade, pêlos abusos, e pela falta de respeito, principalmente.         As atividades dos radioamadores, pelo contrario, esteve sempre baseado no mérito e na capacidade.         Não é em vão que as licenças são outorgadas para que os radioamadores operem estações e equipamentos, mediante créditos de sua habilidade e capacidade técnica em um exame de qualificação.          A diferença das modernas "redes sociais", com as velhas e atuais "redes sociais" dos radioamadores é que não tem valor para o radioamador o simples fato de conectar-se a elas, ou pôr quantidade de conectados, a não ser pôr objetivos que são capazes de alcançar.        Nenhuma rede de radioamadores pode presumir a quantidade de operadores que logra a reunir, assim como os radioamadores não saem pôr ai a ufanar-se de sua popularidade, ou a quantidade de operadores com que se comunica, para muitos deles, entre os quais me incluo, temos um conhecido adágio que diz : “Se não serves para servir, para nada serves”.            As modernas "redes sociais" se diferenciam também das velhas rodas de radioamadores onde eles perseguiam com a sua união, autênticos objetivos sociais.           Porquanto no Facebook, Twitter, Linkedin, e outros, uma grande maioria busca apenas satisfazer seu ego, alimentar seu narcisismo, ou manipular os demais com propósitos meramente egoístas, e, apesar de tudo, creio eu, as modernas redes sociais são tremendamente democráticas, todas as pessoas podem utilizar-se da rede indistintamente, tanto é que também dão a oportunidade para os analfabetos se manifestarem e exararem suas opiniões com igualdade, porem se alguém conseguir ler estas mensagens é outra historia, que não cabe a mim expor neste artigo.      A existência de regras de comportamento e a exigência de uma certa capacidade intelectual para operar os equipamentos de rádio, são dois dos fatores que permitem que o radioamadorismo resista aos ataques e a modernidade e pôde comprir seu primeiro século de existência.            Ao contrário, a falta destes elementares requisitos e exigências acelerou para a quase extinção as "redes sociais" da Faixa do Cidadão.          Portanto, não é aventureiro supor agora, que as atuais e modernas "redes sociais" estão seguindo o mesmo caminho, já nota-se uma fraca decadência, e estas "redes sociais" se extinguirão muito mais depressa do que se possa imaginar.           Se em sua época, as faixas radioamadoras tiveram estado trunfadas de clandestinos e piratas do espectro, seguramente tiveram a capacidade de prestar um serviço de utilidade publica a sociedade.          A pirataria no ciberespaço é quase igual, porem muito mais perniciosa, aqui ainda existe uma diferença, antigamente era muito fácil saber e localizar um clandestino ou pirata, hoje em dia isso não acontece, porque para localizar um clandestino ou pirata é caso que só a policia pode resolver.         As "redes sociais" de hoje em dia estão abarrotadas de comunicadores com tapa-olho e perna de pau, disfarçados de cidadãos normais e bem intencionados.      Sua especialidade é de imiscuir-se com disfarces nos canais, a priori com transparência na nova comunicação digital, com propósitos tão desprezíveis, como o de distorcer as mensagens, dificultar o entendimento, ou destruir a honra e o bom nome de seus semelhantes.         E o que é mais lamentável é que muitas vezes essas pessoas inescrupulosas ganham com uma assombrosa facilidade o aplauso da multidão.           Porem temos que compreender, que a multidão, como os piratas e os clandestinos, não tem a necessidade de prestar um exame de capacitação técnica e habilidade para poderem comunicar-se e tampouco cultuam com paixão aqueles comportamentos humanitários e cavalheirescos, e é o que tem permitido aos radioamadores sobreviver aos vais e vens globais, tecnológicos e econômicos pôr mais de cem anos, não existindo fronteiras étnicas ou geográficas para os radioamadores.

Escreveu: Mário Keiteris - PY2 M X K


Na esperança de que o presente artigo seja do agrado de todos , pôr agora despeço-me com um forte e cordial 73.