Repetidora

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Meteorologia prevê volume de chuvas 40% maior este ano.



Expectativa é de que chova 40% mais que no ano passado

Preparem os guarda-chuvas. Vai chover no estado MG, de novembro a janeiro de 2013, de 30 a 40% a mais do que as médias históricas de cada região. O meteorologista da Cemig, Artur Chaves de Paiva Neto, diz que a exceção será apenas a região oeste, próximo a Divinópolis, que deverá manter o volume pluviométrico normal. Outro alerta é para a ocorrência de temporais, principalmente no mês de novembro. O meteorologista lembra que pancadas de chuva, repentinas e intensas, são comuns nos meses de novembro o que faz com que “uma situação aparentemente segura, mude de uma hora para outra”. Em anos anteriores, chegou a  chover, em Belo Horizonte, 150 milímetros em um único dia, sendo que cada milímetro equivale a 1 litro de água por metro quadrado. “Não será surpresa se isso se repetir. Precisamos estar preparados”.

E ele tem razão. As chuvas mal começaram e, pelo menos, nove pessoas já morreram em Minas Gerais. Desde meados de outubro, três municípios – Itanhomim, Bambuí e Senador Firmino – decretaram situação de emergência por causa de estragos causados por temporais. Preocupados com a situação, vários órgãos do governo e as Defesas Civis Municipais se uniram e apresentaram, no final de outubro, um Plano de Emergência Pluviométrica que inclui maior conscientização da população em relação ao perigo das enchentes, melhor comunicação entre os órgãos de defesa civil e prefeituras e até a estocagem de materiais como colchões, cobertores, remédios e alimentos não perecíveis.

Ainda de acordo com o Departamento de Meteorologia da Cemig, de dezembro e janeiro, as pancadas d’água darão lugar a vários dias de chuva contínua, causada por um fenômeno conhecido como “Zona de Convergência do Atlântico”. E, nesse caso, ela também pode ser um problema. O meteorologista Artur Paiva Neto explica que a água constante satura o solo, provocando deslizamentos de terras e, nas áreas de risco, desabamentos de encostas e moradias.

Ele, que é paraibano e mora em Belo Horizonte há nove anos, lembra que a capital mineira tem características urbanísticas peculiares com dois agravantes: topografia acidentada e muitos córregos. “A maior parte das grandes avenidas já foi córrego um dia. Com isso, a cidade foi ficando impermeável. A água que, antes, passava pelo solo, agora cai diretamente nos rios, o que é um complicador”.

O coordenador executivo do programa de Recuperação Ambiental (Drenurbs) da Sudecap, Ricardo Aroeira, concorda com Paiva Neto, mas garante estarmos preparados para enfrentar o período chuvoso. Segundo ele, a prefeitura de Belo Horizonte vem implementando um conjunto de ações eficazes no combate às tragédias. Elas incluem desde a capacitação de pessoal para os trabalhos de prevenção, a elaboração de diagnósticos, limpeza de córregos e galerias, monitoramento constante das áreas de riscos, mapeamento dos moradores dessas áreas e a implantação de um sistema hidrológico, com 42 estações, capaz de informar, em tempo real, a quantidade de chuva e o nível dos córregos e canais. Além disso, várias placas de aviso de risco foram espalhadas pela cidade como nas avenidas Prudente de Morais e Tereza Cristina, orientando as pessoas a evitarem o local em caso de chuva forte.

Os investimentos da prefeitura, governos estadual e federal somam R$ 450 milhões em obras estruturantes, R$ 880 milhões em obras já iniciadas e R$ 1 bilhão de recursos já assegurados pelo PAC para serem utilizados em obras nos próximos quatro anos. “Nossa meta é viabilizar a retirada de 3000 famílias de áreas de risco nos próximos quatro anos”. O que falta? Segundo o coordenador, é preciso avançar na parceria com a população que ainda dispõe o lixo de maneira inadequada, comprometendo o escoamento da água. “É preciso que a população conheça os riscos e se defenda”.

Aumenta o número de municípios atingidos

Mesma opinião tem o major Edylan Arruda, da Coordenadoria Estadual de Defesa Estadual (Cedec). Ele diz ser um grande desafio fazer as pessoas entenderem que a “água mata”. Na opinião dele, temos pouca percepção do risco e, em meio a um temporal, tendemos a enfrentá-lo. “Grande parte das tragédias poderiam ser evitadas, se houvesse mais prudência.”

De acordo com a Cedec, no último período chuvoso, (2011/2012) houve um aumento de 27% no número de municípios mineiros atingidos pelos desastres provocados pelas chuvas em relação à média histórica dos últimos 10 anos, que foi de 215 municípios. Além disso, no mesmo período, o número de municípios que decretaram Situação de Emergência, e foram reconhecidos pelo Governo Federal, mais que dobrou em relação à média histórica de reconhecimentos dos últimos 10 anos, que é de 72 municípios. O percentual de aumento registrado foi de 125%.

Preocupados com a questão, no último dia 24 de outubro, vários órgãos do Governo apresentaram um Plano de Emergência Pluviométrica com a participação de comissões municipais de Defesa Civil, oficiais do Exército, da Marinha e de prefeitos de mais de 50 municípios do estado. Na avaliação do major Arruda, o mais importante desse encontro foi o engajamento dos municípios e dos novos prefeitos em torno de uma política eficiente de defesa civil nos municípios.

Esse é hoje o maior desafio da Cedec que tem como missão treinar os órgãos de defesa municipais e dar suporte em caso de tragédias. “É importante que essas instâncias tenham voz ativa e o apoio das prefeituras”, ressalta. Ele faz um apelo para que os novos prefeitos, que tomarão posse em janeiro de 2013, não desestruturem suas defesas civis em pleno período chuvoso. “Muitos políticos entendem que, sendo de oposição, devem trocar o quadro de funcionários. Isso seria desastroso.”

Radar meteorológico

Em funcionamento desde novembro do ano passado, o radar meteorológico da Cemig é uma importante ferramenta na prevenção de enchentes. O meteorologista Artur de Paiva Neto diz que esse será o primeiro período chuvoso em que o equipamento estará “funcionando a pleno vapor”. Instalado no Morro do Elefante, em Mateus Lemes, identifica a ocorrência e a intensidade das chuvas e tempestades, emitindo informações precisas em um raio de até 200 quilômetros de abrangência. Cabe ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), produzir alertas meteorológicos que são repassados para a Defesa Civil do Estado e dos municípios.

fonte: http://www.jornaltudobh.com.br