Repetidora

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CONHECENDO O SEU S-METER



Com certeza já vimos S-Meter e S-Meters, desde aqueles bem visíveis nos painéis dos antigos receptores a válvula, até os minúsculos indicadores de sinal dos modernos transceptores compactos. A questão é: O que esperar deles? Podemos confiar em sua leitura? Eles são compatíveis entre si? Existe diferença na leitura do sinal em HF, VHF ou UHF? Parece-me que a questão ficou confusa nos últimos tempos, que poucos colegas reportam sinais recebido a partir da leitura do S-Meter. Voltamos ao bom e velho "59" para sinais fortes e dai para menos quando a propagação não ajuda.

Recentemente tive a necessidade de "calibrar" dois equipamentos quanto à sua sensibilidade e indicação de sinal. As discrepâncias verificadas nas medições me levaram a aprofundar um pouco mais a questão. O resultado desse trabalho está aqui relatado e, talvez, tenha utilidade para os colegas interessados na questão.

HISTÓRIA

A escala do S-Meter foi derivada do sistema de reportagem subjetiva RST, utilizada desde os primórdios das comunicações por radiotelegrafia até os dias atuais. Esse sistema, composto por três dígitos, procura avaliar a qualidade do sinal telegráfico recebido avaliando a intelegibilidade(R), a intensidade de sinal(S) e a qualidade do tom(T), com valores variando de 111 até 599. Para qualificar sinais de fonia, quer seja em AM(SSB é uma modalidade do AM) ou FM, o último digito não é utilizado e as "reportagens" de sinais são então expressas para valores 11 até 59. A inteligibilidade é subjetiva e não pode ser medida pelo receptor, mas a intensidade de sinal pode.

A União Internacional de Radioamadores(IARU) elaborou em 1981 uma recomendação para a calibração dis S-Meters que integram os equipamentos de HF, VHF e UHF. Devido às diferenças entre as técnicas de recepção e demodulação de AM em HF e de FM em VHF e UHF, foram elaborados padrões diferentes para as escalas dos S-Meters para esses dois casos.

Para os equipamentos de HF foi estabelecido que a indicação de S-9 deve corresponder a uma potência recebida no conector de antena de -73 dBm, equivalente a 50 microvolts de tensão eficaz(RMS) sobre a impedância de 50 ohms, Já para os equipamentos de VHF a indicação de S-9 deve corresponder à potência de -93 dBm, equivalente a 5 microvolts de tensão eficaz sobre a impedância de 50 ohms.

Para sinais iguais ou inferiores a S-9, cada unidade S corresponde a uma diferença de 6dB, ou seja, uma razão de dois para a tensão ou de quatro para a potência . Acima de S-9 os sinais são medidos diretamente em dB, com alguns S-Meteres chegando até a 60 dB acima de S-9 ou S9+60dB.

A grande maioria dos S-Meteres não são calibrados dessa forma. Alguns poucos apresentam uma leitura correta para S-9, mas não apresentam o passo de 6dB para cada unidade S. Alguma relação mais próxima com esse padrão pode ainda ser observada nos equipamentos mais antigos, à válvula ou híbridos, que ainda procuravam seguir esse padrão.

Na década de 90 tive a oportunidade de "calibrar" um FT-101B, que ao ter o S-Meter ajustado para apontar S-9 com 50 microvolts na antena, apresentou uma relação bastante próxima para as unidades S e para os dB acima de S-9. Lembro que a percepção, após essa calibração, era de um S-Meter "duro", mas fiel à especificação.

Conhecer seu S-Meter é interessante para entender melhor o seu equipamento, na recepção, mas também lhe dará uma boa idéia do que sua transmissão pode fazer.

Por exemplo, existe uma grande diferença no consumo de energia e no tempo de vida dos componentes do seu transceptor, entre uma transmissão com 100 W e com 25 W. Mas para quem está recebendo seu sinal essa diferença deveria ser de apenas uma unidade S, ou 6dB. Transmitir com apenas 1 W no lugar de 100 W reduziria seu sinal em 1,5 unidade S. O uso de um amplificador linear de 1 KW após seu transceptor de 100 W elevaria seu sinal de S-9 para S-9+10 dB, ou de S-7 para algo entre S-8 e S-9.

Essa constatação pode nos fazer repensar sobre a modalidade QRP, sobre a aquisição dos transceptores de baixa potência que estão aparecendo no mercado e a necessidade de investir em amplificadores lineares.



PU4-TAM
PX4H-2657
Magela
fonte: http://rodadadobule.blogspot.com.br/