Repetidora

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domingo, 19 de janeiro de 2014

Seria agora o momento de abolir o CW nos exames para promoção de classe?

A operação em código Morse (CW) é absolutamente ligada à prática do radioamadorismo. Trata-se de modalidade com altíssima eficácia, especialmente para a prática do DX, além de ser, no momento, a única modalidade “digital” capaz de permitir a realização de QSOs sem a necessidade de um computador.

Longe de morrer, o CW ainda é amplamente utilizado por radioamadores de todo o mundo – basta uma visita às faixas destinadas a seu uso para se comprovar este fato.

No entanto, nem todo radioamador gosta de “fazer CW”.

Muitos, não sem grande dificuldade, aprendem o mínimo necessário para o ingresso na Classe B e depois simplesmente esquecem este modo.

O radioamadorismo tem tantas opções hoje em dia, que mesmo um radioamador não adepto ao CW encontra atividade suficiente para mantê-lo plenamente ocupado – seja em fonia, seja nos modos digitais, ou praticando radioamadorismo via satélite, ou contatos EME, ou simplesmente conversando localmente com a turma em alguma repetidora (ou globalmente com algo tipo Echolink).

Assim, manter o CW como um impeditivo para a evolução dentro do radioamadorismo é, a meu ver, um equívoco.

Não se trata de simplesmente abrir as comportas do inferno, para que qualquer elemento, sem o mínimo de preparo, possa ingressar no serviço, repetindo o fenômeno de crescimento da faixa do cidadão anos atrás, cujo sucesso foi sua principal “causa mortis” dado o excesso de “operadores” sem qualquer qualificação usando inadequadamente o serviço.

Claro que deve-se manter um sistema de mérito para a admissão e promoção de classes. Apenas acredito que a manutenção dos exames, e mesmo a necessidade de demonstrar atividades como parte do processo de progressão de classe poderiam fazer com que mais pessoas se interessassem em evoluir como radioamadores.

No mundo atual, com tanta coisa nova a se aprender, com resultados práticos para nossas vidas pessoais e, principalmente, profissionais, obrigar radioamadores que realmente gostam da atividade, a ter que aprender, a duras penas, uma modalidade que sequer será utilizada, me parece, no mínimo, incoerente.

Desde 2007 não se exige mais exames de código Morse para nenhuma classe de radioamador nos Estados Unidos.

Eles têm pouco mais de 700.000 operadores registrados, e a isenção do CW reverteu uma tendência preocupante de queda no número de radioamadores daquele país.

No Brasil, temos aproximadamente um radioamador a cada 5.600 habitantes; nos Estados Unidos, temos uma relação de um radioamador a cada 440 habitantes. Claro que esta relação não é reflexo apenas da queda da exigência do CW naquele país, mas o número revela o quão mais popular o radioamadorismo se mantém nos Estados Unidos em comparação a nós.

Além dos Estados Unidos, outros países já aboliram o CW dos testes de admissão ou promoção de classe.

Segundo a Radio Society of Great Britain (a entidade radioamadorística da Grã Bretanha) estes países são (acompanhados da data em que a isenção passou a valer):

AUSTRIA – 26 November 2003
AUSTRALIA – 1 January 2004
BELGIUM – 31 July 2003
BULGARIA – 27 August 2004
CANADA – 22 July 2005
CZECH REPUBLIC – 1 May 2005
DENMARK – 1 February 2004
FINLAND – 1 November 2003
FRANCE – 4 May 2004
GERMANY – 15 August 2003
HONG KONG – 11 February 2004
IRELAND – 15 September 2003
ITALY – 12 August 2005
KENYA – 2 April 2004
NETHERLANDS – 1 September 2003
NEW ZEALAND – 17 June 2004
NORWAY – 18 August 2003
PAPUA NEW GUINEA – 6 October 2003
POLAND – 14 August 2004
SOUTH AFRICA – 4 February 2005
SPAIN – 1 March 2005
SWEDEN – 20 April 2004
SINGAPORE – 15 September 2003
SRI LANKA – 6 March 2009
SWITZERLAND – July 15 2003
UNITED KINGDOM – 26 July 2003
USA – 23 February 2007

Como se pode observar, vários dos principais centros radioamadorísticos já adotaram a isenção do CW.

Não seria já o tempo de o Brasil fazer o mesmo?

fonte: Paulorgallo