Repetidora

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domingo, 22 de março de 2015

Antigos radioamadores mantém amizade que foi propagada há mais de 30 anos





Na geração de Facebook e WhatsApp, falar sobre Rádio PX é falar grego. Mas na vida do fotógrafo Tião Guimarães, de 74 anos, o antigo meio de comunicação continua sendo companheiro de todas as horas e ponte para amizades verdadeiras e duradouras. Um dos raros adeptos do radioamadorismo em Campo Grande, Tião não tem lá muita empatia pelas novas tecnologias e mantém a paixão de se comunicar pelas ondas do rádio. Há 37 anos quando fez o primeiro contato com o mundo por meio do PX, o fotógrafo lembra que a novidade virou vício. "Hoje em dia, considero isso uma paixão de maluco mesmo, mas sou falador, contador de causos, por isso continuo aqui", ressalta o fotógrafo que não faz questão de se juntar aos viciados do Facebook.  Sobre as gírias e códigos de rádio, Tião cita '88' para beijo e '51' quando quer enviar um abraço para os colegas do PX.  Entre um 'QAP' (Estou na escuta) e um'QSL' (Entendido), o radioamador consegue dar boas risadas com os bate-papos via rádio, mas também já arrumou brigas, principalmente com os 'queridos' argentinos. "A rivalidade com os hermanos também existe no PX", revela. E quando estações entre argentinos e brasileiros se encontram, a baixaria rola solta. "Prefiro nem comentar os palavrões", menciona.  Quando se tornou radioperador, Tião mantinha contato apenas com pessoas do Brasil, isso porque ele não tinha confiança em falar com estrangeiros. Mas logo, o dono da estação Camalote sintonizou outros canais que o levaram ao mundo todo. Foi pelo rádio que Tião aprendeu a falar castelhano.  Como em uma rede social, o rádio PX ligou Tião a vários desconhecidos que logo se tornaram mais que amigos, hoje são parte da família. Ao sintonizar uma das estações chilenas pela rádio, ele conheceu Coiote, apelido que Francisco Llanos, 53 anos, adotou para as conversas como radioamador. O contato se concretizou fora das ondas do rádio e se transformou em uma amizade que dura mais de 30 anos. "Em 1984 visitei pela primeira vez o Francisco que morava no sul de Santiago (capital do Chile)", lembra Tião. De lá para cá, o contato nunca foi interrompido e as histórias construídas pela ponte Brasil e Chile/ Chile e Brasil a cada ano aumentam. "Em 1988 me casei e vim passar a lua de mel na casa do Tião", relata o chileno que apenas duas semanas atrás estava de volta à casa do amigo com a atual esposa. "O Tião e a família dele já fazem parte da minha vida", enfatiza Francisco que deu ao filho o nome de Sebastião para homenagear o amigo.  Mas será que pelas redes sociais mais modernas é possível construir uma amizade tão forte? O amigo Luiz, 50 anos, acredita que não. Ele, que é campo-grandense, também se juntou a Francisco e Tião por meio do rádio ainda na década de 80 quando mantinha a estação Curió. "A amizade de rádio é diferente. Lembro que era muito mais emocionante conhecer alguém dessa maneira", considera Luiz que teve as primeiras namoradas graças ao PX. Hoje, ele, assim como Francisco, deixou o radioamadorismo no passado e aderiu aos recursos mais modernos para se comunicar. "Mas é diferente, nunca fiz qualquer amizade pela internet", compara. Se o PX ficou no passado, a amizade do trio continua firme e forte. Para Tião, as conversas via rádio ainda divertem. Apesar de dedicar menos tempo ao antigo hobby, ele capta novas e boas surpresas de vez em quando, mas também desilusões. "Nem todo contato de rádio vira amizade. Alguns somem, nunca mais converso". Por enquanto, as amizades duradouras advindas do rádio parecem ter sido propagadas por ondas bem maiores. "Não acredito em coincidências, mas em fatos programados. A gente atrai certas pessoas para nossa vida que são únicas", expressa Tião.

fonte:http://www.diariodigital.com.br/